segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Podcast Post 039: Entrevista com o Podcast Pixel Velho

Hoje recebemos no Podcast Post, Jairo Vieira criador do glorioso Pixel Velho, então vamos descobrir mais sobre este Podcast sobre jogos que tem a memória afetiva como principal combustível agora em:



Entrevista com o Podcast Pixel Velho


Nerdópole - Nos diga, como foi o planejamento para o lançamento do podcast Pixel Velho, qual foi a maior inspiração para o nascimento desse projeto?


Jairo Vieira - Bom, em primeiro lugar eu agradeço pelo "glorioso", na verdade não é para tanto assim. O Pixel Velho sua origem em 2010, quando eu já havia passado dos 30 anos e continuava tendo aquela nostalgia gostosa sobre games. Acompanhava muitos sites desse tipo como o já semi morto mas nem tanto, Gagá games. Tinha uma afinidade muito grande com gamers mais velhos e percebia que apreciar os jogos antigos era tão bom quanto (e as vezes até melhor) curtir games da geração atual. Foi então que criei o Old Pixel - O Site de Memórias que foi um blog onde comecei a registrar as lembranças e histórias gamers associada a muita nostalgia de minha época de criança infanto-feia-virgem-pobre adolescente.http://oldpixel.yolasite.com/


JV -Foi também no ano de 2010 que conheci a mídia podcast, e, diferente da maioria, não comecei com o podcast principal do nosso país que todos conhecem. Numa busca aleatória por novidades, fuçando na época num Iphone 3G, encontrei uma opção estranha no iTunes e busquei por "Anos 80" (de novo coisa velha) então encontrei o podcast Sériemaníacos, falando sobre as melhores séries antigas. Me apaixonei de cara por aquela ideia pois também era muito fã de rádio AM, acompanhava bastante futebol e corridas de Fórmula 1. Daí para gostar de podcast foi bem simples. Comecei a conhecer um monte de podcasts e o mundo se abriu.

Em 2011 nasceu meu primeiro filho, o Luigi (sim, a razão do nome é essa mesmo que está imaginando) e de alguma forma ser pai muda muita coisa na cabeça da gente. Meu pai por exemplo hoje tem 88 anos e é uma figura muito fechada. Veio do Nordeste para São Paulo em 1954 e não me conta muita coisa da infância dele, por mais que eu pergunte. Eu queria agir diferente com meu filho. Quero que ele saiba como eu era quando mais jovem. Foi então, que resolvi em 2013 transformar todos os textos que havia escrito no Old Pixel, em áudio. Surgiu em julho então o Pixel Velho que nada mais é do que a tradução do Old Pixel (olha só!). Se ouvir os 20 primeiros episódios do Pixel Velho, notará que nada mais são do que a minha voz lendo e interpretando o conteúdo do Old Pixel.

Então resumindo toda a questão. Se você me perguntasse por que o Pixel Velho existe, eu te responderia: "O Pixel Velho existe para que um dia meu filho saiba quem eu fui".

Entrevista com o Podcast Pixel Velho


NP - Hoje em dia estamos com bastante podcasts sobre games, nos fale qual é o diferencial do Pixel Velho para outros casts de games?

JV  - Nunca tive objetivo nenhum de ter um diferencial e nem muito mesmo me preocupar se existem ou não muitos podcasts sobre games. Para falar bem a verdade nem escuto outros pois muitos são garotos mais novos que vivem num momento mais atual. Também acho muito justo que isso aconteça, afinal de contas esse é o momento deles. Nunca busquei saber o que os outros acham ou pensam, apenas faço aquilo que acho legal e curto fazer. O Pixel Velho sempre foi assim e não vejo motivos para mudar. Só faço o que gosto, e só público aquilo que gostei muito de produzir.

NP - Para vocês, qual é a recepção do público mais novo para o tema do Pixel Velho? Eles entram em contato com vocês? Como manter o interesse deles por jogos mais velhos?

JV  -Não recebemos tanto feedback assim da galera mais nova. Porém, tivemos um caso de um garoto de 17 anos que ouve o programa, querer participar a qualquer custo e gravar de qualquer forma. Nós ficamos muito felizes com isso, mas considerei a questão de ser menor de idade e não me senti seguro em fazer o programa com ele. Eu acho que o interesse em games mais velhos é algo muito pessoal. Desejar, ou esperar que alguém goste disso não é algo que acredito que se deva buscar. Isso vai de cada um. Muitos gostam outros não. Mas o que sabemos com certeza é que se o cara curte games antigos, ele gosta muito.
Entrevista com o Podcast Pixel Velho
NP - Como foi a evolução das vitrines para o Podcast e como vocês escolhem os temas abordados em cada cast lançado?

JV -Bom, a vitrine do programa nada mais é do que um brainstorm maluco que acontece num lugar muito específico: minha cabeça. No processo de edição do programa a coisa vai acontecendo e depois é só fechar a arte. Sobre a escolha de pautas hoje é algo muito democrático. Tenho ideias e as compartilho com o grupo de participantes e amigos. Se a coisa pegar a gente segue. Mas já tivemos pautas sugeridas por ouvintes, por amigos, por parentes...e por aí vai.

NP - Qual é o objetivo principal do Pixel Velho? Como trazer mais público para o podcast crescer cada vez mais?

JV -"O Pixel Velho existe para que um dia meu filho saiba quem eu fui". Essa é a essência da coisa toda. Sobre público não seria verdade dizer que não queremos crescer, aumentar a visibilidade, a audiência. Isso todo podcaster quer. Porém não tenho essa ansiedade toda não. Apenas faço pelo prazer e por que me divirto bastante.

NP - Antigamente os jogos eram bem diferentes do que vemos nas gerações mais novas, eu pulei de jogos de MSX e Atari para X-Box 360. Qual foi a principal mudança que tivemos entre esses dois tempos?

JV -Acho que a evolução dos games já era esperada. Mesmo nas gerações mais antigas nós já percebíamos a diferença de qualidade quando um console novo era lançado. Eu fico aqui refletindo as vezes e não poderia ser diferente, isso se chama evolução natural da coisa toda. Eu acho que a principal mudança de verdade não está na geração dos games ou na tecnologia, mas dentro de cada um. Cada um viveu ou vive o seu momento. Um jogo atual para um jovem de 15 anos hoje, será a nostalgia dele daqui uns 20 anos, em 2035. A grande diferença talvez é que as pessoas de idade avançada como eu que tenho 36 anos, fazemos parte da geração de entrada dos games e por isso talvez sejamos os primeiros nostálgicos da coisa toda.

NP - Quais os principais requisitos para vocês convidarem alguém para as gravações do Pixel Velho? Como foi formada a equipe principal de participantes do podcast?

JV -Eu não tenho a menor ideia de qual é esse requisito.rs. A coisa foi acontecendo naturalmente. O Pixel Velho começou somente comigo. Depois de um tempo, conheci o Leozito e o Professor Bira num evento de edição de podcast. O Leo tem um podcast sobre esportes que é o Mentes Brilhantes, enquanto que o professor Bira do site professorbira.com que dispensa apresentações, fala muito sobre educação em seu programa. O que os dois tinham em comum? Ambos serem gente boa e gostarem de games. O Rodrigo Freire que participou algumas vezes eu também conheci no trabalho. Ele inclusive já ajudou muito o site com algumas vitrines e arte. Depois disso o Bira me apresentou o FZCast do Guilherme Oliveira e quando fui ouvir um episódio do programa dele, descobri que ele ouvia o Pixel Velho e o convidei a participar.
Ao mesmo tempo, tentava apresentar o programa para amigos pessoais até que um dia o Daniel Nascimento que já trabalhava comigo desde 2004 começou a me ouvir e o convidei para participar de um episódio pois já sabia que ele era gamer antigo. Ele gostou tanto da coisa toda que criou um podcast para ele, o 70Escutar. Também no ambiente de trabalho uma vez conversando com o Miguel Manrubia, que passou na minha mesa por acaso e se deparou com alguns action figures das antigas, descobri que ele também curtia games velhos, pronto! Falei do Pixel Velho para ele, ele ouviu alguns e chamei para gravar. Hoje ele tem um podcast também que é o Andarilho Conectado.
Completando toda essa onda de gente do bem, recebi um comentário no site uma vez de um cara chamado André Albetim do podcast Assoprando Cartuchos que também fala sobre nostalgia gamer, que ele docemente chama de "retrojogos". Em 15 minutos de contato, ficamos amigos de infância e a coisa aconteceu.
Então, na verdade em todos os casos nunca foi nada premeditado, simplesmente, aconteceu.

Entrevista com o Podcast Pixel Velho


NP - Como são selecionadas as músicas das trilhas de cada programa lançado? Já tiveram algum problema com músicas de jogos sendo usados pela edição?

JV -Essa é uma das partes mais divertidas. Tudo vem dessa minha insana cabeça. É esse o momento onde sinto que posso criar à vontade e dar asas para toda a loucura que existe nesse velho cérebro. As vezes a seleção acontece durante a gravação, mas na maioria das vezes editando. Nunca tivemos problema com direitos autorais de músicas.

NP - Já pensaram em fazer algum vídeo de Gameplay de jogos antigos? Descobri alguns pela internet, mas muitos estrangeiros, seria viável essa ideia? O que você acha dessa possibilidade?

JV -Definitivamente não. Essa não é a praia do Pixel Velho e também não veria muita razão para isso. Sei que o Guilherme Oliveira tem um projeto para tal no FZ Cast. Se ele precisar de algo nisso ajudarei com certeza, mas para o Pixel Velho sem previsão de acontecer.

NP  - Eu sou fã de jogos no estilo Beat´em Ups, a propósito, o episódio duplo ficou excelente. Você indicaria alguns desses jogos para serem jogados hoje em dia? O que acha dos remakes que saíram nos últimos tempos?

JV -Muito obrigado pelo elogio. Sem dúvida foi muito gostoso gravar pois ali tínhamos assunto de sobra. Beat´em Ups foi um grande segmento por longo momento da história dos games anos 80 e 90. Talvez esse estilo de jogo represente muito daquilo que nós entendemos por ser um jogador de videogame. É diversão, cor, luz, briga, jogos multiplayer. Tem uma receita completa que agrada a maioria dos gamers. Se for para indicar Beat´em Ups realmente indicaria os de antigamente. O remake pode valer sim, mas em minha mente, com teias de aranha e cheiro de mofo, ele seria hoje o que a galera conhece como "Spin Off" ou seja uma certa "versão", "referência" ou continuação do original. Vale jogar, mas conhecer o original é bem importante.

NP -  Alguma Consideração final amigo?
Queridos amigos do Nerdópole, eu agradeço muito pela oportunidade de contar essa história toda. E fecho o tema dizendo que o podcast entrou realmente na minha vida com isso tudo. Tanto que resolvi transformar isso em profissão, e junto com o Leozito criamos o site Os Editores onde oferecemos serviços de edição de podcasts. Mas isso aí já será uma outra entrevista. Abraço geeeente, Pixel Veeeelho....

Valeu!

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